Árido infinito

Arizona, 2016

Não importa a velocidade, o quanto de distância percorremos e o que deixamos para trás. Na estrada, a vida real pode parecer suspensa, mas estamos em movimento. O mistério se multiplica pelo retrovisor ou talvez tudo seja miragem dos desertos no Meio Oeste Americano.

O olho confunde o que é antes e depois. Mesmo assim, estamos sempre em algum ponto onde outra viagem começa, com direito à trilha sonora do próprio road movie. Um filme que ainda não vimos, passado no vazio entre as esculturas rochosas de Monument Valley, em um território que serve para infinitas histórias.

Os olhos se apertam tentando desenhar sozinhos o melhor caminho. No esforço de ver o que está por vir, uma brisa meditativa fora do trepidar do carro pode ajudar. Esticar as pernas, caminhar pela vegetação esparsa, sentir o cheiro seco do deserto. Respirar.

Seguimos, com aquela mesma sensação que sobrevive no corpo dos navegantes. O azul profundo do céu, os pensamentos, os dias de fundo infinito e roncos de motores internos nauseando a noção de realidade.


TEXTO Lila Guimarães
FOTOS Victor Affaro

Histórias

Torres e Domos
Amyr Klink

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