Olhares sagrados

Rajastão, 2016

Viajamos para lugares dos quais apenas ouvimos falar, sem muito motivo além do impulso de querer ver de perto o que fica tão distante de nós, do nosso território. Levamos pouca bagagem e, muita vezes, não planejamos os dias a seguir.

Por sorte ou destino, no entanto, temos sempre uma câmera como um passaporte que sem protocolos revela lugares raros e difíceis de imaginar. Não sentimos a passagem de tempo, só o presente, e nos aprofundamos nele, enquanto tentamos sentir o mundo com a calma dos viajantes.

Assim percorremos a Índia de norte a sul, de Goa ao Rajastão, reencontrando o sagrado em homens que cruzam nosso caminho misteriosamente por mais de uma vez. Algo entre nós já é familiar. Fomos definitivamente transgredidos por esses humanos e milenares olhares.

A nossa Índia é o encontro com almas de integridade absoluta. O ser é e está sempre em estado bruto, espelho da nossa única sorte, a força imaterial do humano que nos mantém caminhando firmes em fé.


TEXTO Lila Guimarães
FOTOS Victor Affaro

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